Erva Mate de São Mateus
Cultura Empreendedora São Mateus do Sul / PR
Com o apoio do Sebrae, o produto ganhou selo de Indicação Geográfica, aumentando as exportações e a remuneração dos produtores.
Leia a história do Ronaldo
Se você tem um problema e mostra ao Sebrae, ele encurta o caminho para você chegar à solução.
Foi brincando entre araucárias, imbuias, canelas, xaxins, araçás e, principalmente, arbustos de erva-mate que Ronaldo Toppel Filho passou sua infância nas terras de seu pai, em São Mateus do Sul (PR). Com o pai também aprendeu a trabalhar a erva nativa. No tempo de Seu Ronaldo pai, além de colher, eles também processavam as folhas no próprio terreno, usando um método tradicional, herança da cultura indígena, em um jirau de madeira chamado barbaquá.
Assim, o que na infância era passatempo se tornou profissão. Ao seguir os mesmos passos do pai, Ronaldo deu continuidade a uma longa tradição da erva no Paraná. Ele não deixa de frisar que o cultivo é tão importante para a identidade do paranaense, que na bandeira do estado está representado um ramo da erva-mate, ao lado do ramo da araucária.
Mas ali, na região de São Matheus, que envolve outros cinco municípios, a cultura do mate se desenvolveu de forma particular e especial. Além do fato de que o Rio Iguaçu passa por lá, possibilitando que os vapores que nele navegavam levassem a erva até a capital, Curitiba, as condições climáticas são peculiares, e foi preservada a tradição de manter o cultivo do arbusto em consórcio com outras espécies nativas.

Um dos grandes diferenciais é que não precisamos desmatar para plantar. Fazemos um processo chamado adensamento, que é o aumento das plantas de erva-mate nessas áreas de vegetação nativa. E não usamos nenhum tipo de defensivo químico.
É a combinação entre clima e essa interação das plantas nativas com a erva-mate que resulta na alta qualidade exclusiva dos produtos da região. Tudo isso ficou ainda mais claro para Ronaldo quando ele foi a uma reunião, em 2014, com o Sebrae em Curitiba.
Os consultores queriam saber se os produtores tinham o interesse de potencializar ainda mais esse diferencial do mate de São Matheus, com a certificação da região como a Indicação Geográfica. Isto é, um selo emitido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) vinculando o local à qualidade e a características particulares de um produto ou serviço.
“Então o Sebrae nos deu todo o suporte para formarmos a Associação dos Amigos da Erva-Mate, ofereceu diversos cursos para todos os produtores de boas práticas agrícolas, ambientais e trabalhistas. E também capacitações sobre todas as especificações de qualidade e rastreabilidade para que o produto ganhasse o selo. Aprendemos tanto a condução administrativa quanto técnica. Tem uma turma anual com os produtores.”

A associação também trabalha para divulgar a erva-mate de São Matheus, incentivando o lançamento de novos produtos e promovendo iniciativas como festivais gastronômicos, a Festa da Colheita, a construção de uma caixa d’água em forma de cuia e de um chimarródromo, com água quente disponível para preparar o chimarrão. Todas essas ações, além de fomentarem a atividade, fortalecem o turismo, desenvolvendo a região como um todo.
Ronaldo manteve a média e produziu 35 toneladas de erva-mate na última safra. Ele diz que o selo de Indicação Geográfica aumentou o preço do produto, fortaleceu as exportações e deu confiança aos produtores, que passaram a acreditar mais no trabalho.

A pandemia adiou a inauguração da Rua do Mate, mais uma iniciativa da associação para divulgar a erva e atrair mais turistas para a região. Na colheita de 2020, também foram reforçados os cuidados de higiene e segurança, como o uso de máscaras e álcool em gel.
A partir de maio começa a nova colheita, e a expectativa dos produtores e da associação é lançar novos produtos, como chá mate, e não focar apenas na erva para chimarrão. “Temos um bordão que é tirar o mate para fora da cuia. Queremos inovar. Um chope de erva-mate é um diferencial que faz muita diferença na experiência do consumidor.”